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sábado, 19 de março de 2011

Cobrança e julgamento x respeito e tolerância

Respeito 


Cobrança e Julgamento estão juntos porque os considero igualmente irritantes. São meus calcanhares de Aquiles. Em verdade o que realmente me incomoda é a falta de respeito por trás destas coisas.

Cobrar é a profissão de alguns. Mas normalmente a cobrança ocorre quando a outra pessoa está em débito. Estar em débito significa que você prometeu algo ou alguma coisa e que não entregou a tempo, conforme combinado. E também que provavelmente você já está usufruindo de algo que o outro lhe deu em troca daquilo que você ainda não entregou.

Visualizo duas pessoas que acredito que sejam as únicas de quem eu aceitaria uma cobrança: o chefe e a mãe. O primeiro porque te contratou e te paga para fazer algo específico e então você tem obrigação de corresponder. A segunda porque definitivamente ela pode cobrar o que quiser pois você acabou com a vida social dela, gastou o salário dela por pelo menos uns 18 anos (quando não mais), teve casa, comida e roupa lavada até quando quis, etc. Enfim, estes dois eu reconheço, baixo a cabeça e correspondo.

Agora, em outros relacionamentos não acredito que esteja obrigada a corresponder. Como já falei no post sobre carência, concordo que nos relacionamos por interesse. Isto também quer dizer que temos uma contrapartida a dar em todos os relacionamentos. Pois se estamos interessados em algo, devemos pagar o preço.

Acontece que, na maior parte das vezes, as pessoas não são claras sobre o que esperam de nós. Dificilmente ao conhecer alguém você começa dizendo: “ok, posso ser seu amigo, mas as minhas limitações são estas, espero de você isso, mais isso e aquilo.” Não há o contrato verbal necessário. Nem em um namoro. E algumas poucas vezes há em um casamento. 

Você não comunica o que quer e nem o que espera do outro. Mas passado o tempo e ocorridas as situações você se sente no direito de cobrar explicações, atitudes e gestos do outro. Como assim???

Experimente chegar ao seu novo chefe no final do mês e pedir algo que não fez parte da negociação da vaga. Ele vai rir da sua cara. Ou então mandar você catar coquinhos. Pessoa sem noção de como funcionam as coisas.

Mas na informalidades das relações interpessoais acreditamos piamente que podemos fazer isso. Pode? Poder pode, mas é extremamente desagradável.

Os pensamentos que tenho quando alguém me cobra mais atenção, por exemplo: se a pessoa não me procura, porque eu tenho que procurar ela? Porque eu sou obrigada a ficar elogiando, bajulando e ligando para alguém que não liga e quando liga fica cobrando coisas que não estavam combinadas?

Sinto que houve uma invasão do meu espaço. Estão tolhindo meu direito à escolha. Existem dias em que não tenho vontade de ver ninguém. Em outros quero determinado tipo de companhia.  E às vezes tanto faz a companhia porque estou neutra. 

É egoísta isso? Pense bem sobre isso. Eu cheguei à conclusão de que posso escolher o que quero. Uma vez uma pessoa me disse (e talvez vocês estejam pensando assim também): “mas você fala de relacionamento de uma forma tão fria e racional. Até parece que está lidando com dinheiro.” A resposta que dei a essa pessoa foi: você tem noção de quanto uma mulher gasta para um primeiro encontro? 
No primeiro encontro com meu atual marido gastei com faxina da casa (R$ 60,00), depilação (R$ 120,00), roupa nova (R$ 70,00), manicure e pedicure (R$25,00), desconto de duas horas de trabalho do salário no dia do encontro (R$ 10,00) porque precisava me arrumar..... enfim, o que ele pagou pelo jantar vezes dois ou três. Fora isso, realmente tempo é dinheiro. Como nunca tive poupança, minha maior riqueza é o meu tempo. E finalmente, ainda que nem todos sejam iguais, mulheres gastam muito tempo e pensamentos (e palavras) antes, durante e depois de um encontro. Enfim, eu devo realmente dedicar muito tempo à pessoas que vão provocar esta catástrofe na minha vida e que depois não terão como retribuir? Relacionamentos são investimentos, e talvez os mais caros.

Acredito que sejamos seres livres, então quero crer que posso escolher.

 Julgar - v.t. Decidir um litígio na qualidade de juiz ou árbitro. Pensar, supor: julgou necessário protestar. Avaliar, emitir opinião, formular um juízo: julgar uma pessoa pela aparência. Reputar, considerar: julgo-o bastante competente. V.pr. Ter-se por, considerar-se.

Na verdade o que incomoda e destrói os relacionamentos é a precipitação. Estou convencida de que conhecemos muito pouco sobre os outros. E dificilmente conseguimos entender o que eles pensam e o que tinham em mente. Simplesmente é assim porque temos histórias, experiências, culturas, hábitos e pensamentos totalmente diferentes. Não tem como entender como o outro pensa, porque o pensamento dele no seu hardware não abre, não visualiza, não roda. Você não tem os requisitos para acessar esta informação da forma correta. Entendeu?

Alguns julgam por profissão, mas julgam situações e com base apenas naquilo que há no processo. Somente o que está no processo vale, nada pode ser suposto ou pensado. Não acredito que possamos ser bons julgadores nos nossos relacionamentos. A tentativa que fazemos ao tentar imputar pensamentos e atitudes é na verdade supor. E eu não tenho liberdade de supor, pensar? Claro que tem, mas esteja ciente de que isto não é a verdade do outro. E não queira que o outro aceite suas cobranças com base no julgamento que você fez dele. 

Mas é interessante ver como fazemos como as crianças e tentamos e testamos as pessoas até que elas nos dêem um limite.

Não consigo visualizar uma forma correta de julgar os outros. Na verdade acredito que respeitar começa com deixar o outro ser quem ele é. Permitir que o outro sempre se mostre antes de eu pensar qualquer coisa. E se eu me perdi e acabei pensando algo, sempre pergunto: o que você quis dizer? Você sente que é assim? Afinal o outro tem direito de defesa e de expor o que pensou ou quis dizer antes que você o condene.

Respeito é algo delicado e sensível. Talvez seja o valor maior que qualquer pessoa tenha. Da perspectiva do eu significa identificar seus anseios, suas deficiências e os locais onde você não quer que ninguém toque. O espaço que você quer proteger. Que você escolheu para manter só seu. Da perspectiva dos outros, respeito é dar espaço e confiar. Permitir que o outro seja, deixar que ele se mostre, se apresente e nos surpreenda. E também confiar que apesar de ele não querer que você entre naquele espaço, ele gosta de você, ele respeita a sua opinião, ele quer você por perto. Mas não tão perto.

Reconheço que em um mundo completamente sem limites, onde tudo é acessado por todos e onde as crianças não ouvem “não” e os adultos são predadores, é complicado falar em respeito. Mas e até quando aguentaremos se não dermos atenção ao que realmente importa?

Respeito - s.m. Ato ou ação de respeitar. Sentimento que leva a tratar alguém ou alguma coisa com grande atenção, profunda deferência; consideração, reverência: respeito filial. Obediência, acatamento, submissão: respeito às leis.

Se a cobrança e o julgamento (que deriva da carência) querem uma atenção não concedida, tratar alguém com respeito talvez seja a solução. Dando a devida atenção e reverenciando o espaço do outro talvez você receba a atenção que quer.

Existe um outra palavra que relaciono ao respeito: cuidado, do verbo cuidar. Cada relacionamento é como uma planta, requer cuidados. Se você der água demais, sol demais, pouca água, pouco sol, ela não resistirá. Você tem que dar um pouco e observar o que a planta retribui. Com as pessoas também é necessário dar um pouco e observar. Tudo tem seu tempo. As vezes é tempo de semear, outras de cuidar e por fim de colher. Mas temos que ser pacientes. Cada um dá o que tem e conforme pode. E nem sempre isto coincide com as nossas necessidades. Por isso é bom termos sempre mais de um amigo. :-)

Apesar de ter encontrado somente definições do tipo aguentar e suportar/ sofrer para o verbo tolerar, gostaria de deixar aqui uma visão boa de tolerância. Para mim tolerar é sinônimo de entender. Ou talvez voluntariamente silenciar por amor e cuidado.

Cada um está em um estágio de evolução. Cada um consegue fazer determinado numero de coisas. Cada um tem resistência a algumas coisas e a outras não. Com certeza, cada um faz o seu melhor, ou o que dá conta naquela situação. Nesse sentido, se você é o alvo das cobranças e julgamentos e se a pessoa responsável por isto é alguém importante para você, então entenda que faz parte do cuidado com aquela pessoa silenciar. Mas este silenciar não é sinônimo de engolir. Se a sensação é de que você está engolindo sapos então é porque realmente aquilo ultrapassou o seu limite. Você se sentiu desrespeitado e portanto deve esclarecer ao outro que o limite a que ele pode chegar é um pouco antes do que aconteceu. Novamente tem que haver diálogo e comunicação das necessidades, limites e expectativas. Se você quer que alguém preencha suas expectativas assegure-se de que a outra pessoa foi informada sobre isso. Senão a frustração é garantida.

Resumindo para finalizar:
- Se você cobra, e não é mãe ou chefe, esteja certo de que o outro está incomodado.
- Se você julga, você realmente perdeu a noção das coisas.
- Respeito é dar espaço e permitir que o outro seja o que ele realmente é.
- Tolerância é entender e querer cuidar.

Adoro a seguinte frase: “julgue a si mesmo e advogue em favor dos outros” BapDada

Ter uma plantinha é maravilhoso para aprender a cuidar. E também ajuda a manter a atmosfera mais limpa e casa mais colorida!!! Plante, em todos os sentidos!

terça-feira, 1 de março de 2011

A carência e alguns remédios

Peço perdão a quem esteve esperando desde setembro, mas foi a vida e assim é a vida.
Devo mencionar que apesar de adorar psicologia, não tenho qualquer formação na área. Na verdade sou alguém que gosta de observar, que pensa (até demais às vezes) e que assume suas opiniões sabendo das conseqüências.
Retomando as reflexões a que me propus sobre relacionamentos começarei pela carência. Não porque é o mais importante, mas porque tinha que começar e definitivamente é o que me incomoda neste exato momento.
Do Michaelis on-line a definição na língua portuguesa:

carência ca.rên.cia - sf (lat carentia) 1 Falta do preciso. 2 Necessidade. 3 Privação. 4 Econ Prazo concedido pelo financiador ao financiado, durante o qual a amortização do principal é dispensada. 5 Dir Decurso de um prazo estabelecido para entrada em vigor de um direito e da obrigação correspondente. Antôns (acepção 1): fartura, abundância.

Em se tratando de relacionamentos falamos aqui de falta, necessidade, privação de algo que desejamos (consciente ou inconscientemente). Suas irmãs siamesas são a tristeza e a eterna insatisfação.


Como o objetivo do blog é a praticidade e a simplicidade, e eu mesma não consigo complicar muito, devo dizer que a carência não resolve. Ela atrapalha, complica, torna as coisas "delicadas" e definitivamente desanimadoras.

 As origens da carência que vêm à mente agora são duas: reflexo de lacuna em algum relacionamento essencial ou expectativas excessivas e não comunicadas.

Em que pesem todo o esforço que uma mulher e um homem fazem quando pensam e realizam a tarefa de colocar um filho no mundo e todas as boas intenções e decisões pelo que acreditam ser o melhor para aquela criança, invariavelmente falta algo. Ou mais atenção em relação aos "feitos" (desenhos abstratos, emaranhados de coisas que nada significam para nós e que eles chamam de foguete, castelo, conquistas infantis que para nós são cotidianas...etc), ou mais carinho, ou mais incentivo, ou mais qualquer outra coisa que para a criança era importante e ela não soube comunicar.

Essa lacuna também ocorre depois de mais velhos, mas o motivo é o mesmo, só muda o nome. Adultos têm expectativas não comunicadas, necessidades subestimadas, privações impotas ou auto-impostas. Enfim, em se tratando da atenção e carinho alheio, voltamos a ser crianças e expressamos de forma "bicuda" nossas necessidades não preenchidas.

Tenho me perguntado faz um tempo se nós realmente "crescemos". Porque muitas das nossas reações às situações remetem à visão daquela garotinha vestida com maiô e saia de tule, coque na cabeça e os olhos rasos d'água; ou daquele garoto vestido de superman com as mãos na cintura e um rosto vermelho de contrariedade. Já vi vintões, trintões, quarentões, cinquentões e sessentões nesta situação. Enfim, talvez emocionalmente sempre sejamos desejosos de amor, atenção, carinho e afeto como fomos aos 2, 3, 4, 5 e 6 anos.
 
Voltando à praticidade e objetividade, quando eu sou o carente:
- é provavel que eu (sem notar ou racionalmente) viva cobrando a atenção dos outros;
- é provável que eu dificilmente me sinta amada;
- é provável que eu considere as pessoas frias, egoístas;
- é provável que eu não me sinta valorizado;
- é provável que eu nunca esteja contente com o que os outros têm a oferecer e queira sempre mais.

A situação realmente é triste, angustiante. Claro que existem nuances, como nas cores, entre o super-carente e o pouco carente. Mas provavelmente todos nós tenhamos carências em alguma medida e em alguns setores específicos.



Quando eu identifico que alguém próximo a mim é carente o enfoque é outro. A tristeza e a angústia vêm de saber que talvez você nunca consiga preencher a necessidade do outro e algumas vezes de saber que você não consegue ou não quer preencher. Sim, porque ninguém é perfeito. Ninguém é obrigado a deixar todo mundo satisfeito o tempo todo, e nem consegue

A carência do outro faz você reconhecer sua própria condição de ser em evolução. Aqui também existem nuances: alguns são mais capazes que outros de entender e preencher as necessidade dos outros. Alguns estão mais em condições emocionais, psicológicas e de preenchimento de se doar. Outros não têm nem para si próprios e se doarem se consumirão. Não é fácil reconhecer em que situação estamos. Mas todos temos limitações de energia, de esgotamento, de cansaço, de valores não desenvolvidos, de interesse naquele relacionamento específico.


E aqui é preciso reconhecer algo também: só nos relacionamos porque nos interessamos. Não aquele interesse malicioso, mas interesse real. Seja entre casal, amizade, colegas de trabalho, definitivamente, você só investirá tempo naquilo que realmente lhe interessa. E o relacionamento termina quando o que nos interessa passa a ser menor do que aquilo que nos incomoda. Enquanto o que nos interessa for maior, o relaciomento perdura. É claro que as vezes um relacionamento acaba no dia da TPM, ou do stress profundo, quando o seu organismo está mais susceptível e o que te incomoda é multiplicado pelos seus hormônios. Como disse no início, é a vida. Acontece. Nada novo.

No organograma acima coloquei duas virtudes que acredito auxiliem a amenizar os efeitos da carência. Citei duas que gostaria de esclarecer por quê: auto-estima e diálogo.



Começando novamente pelo eu, que é o que realmente importa e a única mudança possível (esclareço isso mais adiante ou em comentários se necessário), um antídoto é a auto-estima. Ou talvez eu arrisque dizer que eu me sentia carente porque faltava auto-estima (repito, arrisco porque não tenho formação em psicologia e falo o que sinto e que talvez não se aplique a você). Na verdade, estima é sinônimo de apreço, valorização e afeto. E isto era exatamente o que eu-carente buscava nos outros e nos relacionamentos. Por esta razão e nesta lógica é que digo que auto-estima é um remédio. Simples assim!


Auto-estima é gostar de si mesmo, assim mesmo como você é. Da forma como você está agora. Sem condições ou restrições. Sabendo das suas fraquezas, pontos fracos, mancadas, crenças e hábitos. Alguns diriam: e existe alguém que não goste de si? E eu perguntaria: e existe alguém que realmente goste de si, completinho, 100%? É, então...


Cada um de nós tem as suas preferências em relação a si. Existem partes, jeitos e atos que realmente admiramos em nós mesmos. Mas existe sempre algo que gostaríamos de alterar. Faz parte. E a auto-estima é justamente a medida da incomodação e insatisfação que você sente em relação a estes traços "non gratos". Quanto mais isto representar apenas algo a ser alterado e que você acredita que pode, mais auto-estima você terá.
 
Na Organização Brahma Kumaris aprendi que a auto-confiança (acreditar que você pode mudar, confiar em si), o auto-respeito (reconhecer suas qualidades e respeitar as suas limitações) e a auto-valorização (reconhecer o seu valor ) fazem parte da auto-estima. Não adianta dizer que a auto-estima está ok se você não acredita que um dia será melhor. Também não venha me dizer que tudo está certo com a auto-estima se você ridiculariza seus defeitos e limitações, cobra de si mesmo o tempo todo e se culpa depois que acontece.

É nesta medida que falo em gostar de si. Gostar de si a ponto de conviver pacificamente com os pontos negativos enquanto você trabalha neles. Afinal, sua personalidade, seus hábitos e crenças o acompanham sempre, o dia todo. Então passar o dia brigando também não ajuda.

Somente para citar, porque senão vou alongar demais, mas faz parte da auto-estima:
- ter limites, reconhecer seus limites e saber dar limites,
- dedicar tempo a você e ter responsabilidade pelas suas escolhas,
- saber o que quer e saber comunicar isso (próximo assunto)


Encerrando a auto-estima, gostaria de ressaltar a responsabilidade que temos pela nossa própria felicidade. Apesar de tudo o que acontece no mundo, com as pessoas, no meu ambiente de trabalho, em casa, com meus queridos e queridas, etc, o meu estado de espírito e a felicidade dependem dos meus pensamentos. Da qualidade que eles têm. E não dos fatos e acontecimentos. Quem é que pensa? Eu. Quem segura alguém que tenha um pensamento determinado? 

Talvez porque eu mudei de cidade inúmeras vezes na vida eu não tenha tido uma referência única e tenha focado tanto em cuidar de mim. Mas se você viveu sempre no mesmo lugar, talvez você tenha adotado uma referência, uma pessoa que você queria ser igual. Ainda que você tente ser igual a alguém, é você quem pensa e dificilmente você saberá exatamente como aquela pessoa pensa. Então, decida o que quer pensar e pense naquilo que você quer que aconteça. Visualize, faça planos, descubra como fazer isso se tornar real e prático. E também cuide de você, descubra o que te faz feliz e proporcione isso a você sempre. Permita-se ser feliz. Torne-se feliz. 


O segundo remédio, este aplicável tanto se você está carente ou nos relacionamentos com pessoas carentes, é o diálogo.
Como referi, preencher o outro às vezes é inviável, outras é contra a sua vontade ou ainda requer mais do que você tem a oferecer. Comunique isso. Fale. 
Se o outro já sofre sem conseguir falar e você ficar angustiado em silêncio o resultado serão dois avestruzes (conferi no dicionário... hehehe) com a cabeça escondida na terra.
Já adianto que para mim o relacionamento não existe sem diálogo. O nome que eu daria seria convívio ou acomodação ao relaciomento sem diálogo.

E dialogar é algo complexo, mas não complicado. Você tem que dar atenção, mas não é impossível. É como castelo de cartas. Com cuidado ele se sustenta, sem cuidado tudo cai.
Adotei a seguinte prática: explico como se o interlocutor fosse uma criança de 4 anos e não soubesse de nada. Sempre. Se uma criança de 4 anos tem entendimento restrito ao mundo que conhece, eu sempre levo em consideração o que observei ser o mundo da pessoa

Uso como exemplo situações a que ela esta acostumada. Sempre uso exemplos, porque criança tem que visualizar. 

Também procuro começar a frase da seguinte forma: "quando voce age assim, eu me sinto assim". 

Outra frase: "imagine se eu fizesse da forma que você fez, como você se sentiria?"


Mas sempre pergunto. O objetivo das perguntas (ou interrogatório... hehe) é porque eu preciso entender o que o outro realmente queria fazer ou dizer, ou qual a real intenção, ou o resultado que a pessoa esperava.


Algumas coisas que devem ser evitadas custe o que custar:
- acusação
- agressão
- imaginar o porquê o outro fez ou disse


Tudo isso só atrapalha e piora a situação. E alguém que está carente depois disso desmoronaria.
O foco que deve ser mantido é mostrar os seus sentimentos em relação à forma como o outro age. 
O que o outro faz e como ele está é diferente de como ele é de verdade. Então não confunda e ressalte que você gosta da pessoa e que se propôs a dialogar porque ela é importante para você.


Enfim, a carência não faz bem nem a quem sente, nem a quem quer preenchê-la. Invista em si e dê atenção ao diálogo com quem você gosta. Isto é o que podemos fazer enquanto seres em evolução. De resto, preenchimento 100% só Deus e talvez você tendo uma conversa com Ele você descubra algo mais sobre isso. ;-D

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Digressões sobre vida de casal - pensamentos ao leu


Olá...
Faz um tempinho que não colaboro com esse blog, dessa pessoa amada que é a Jana...

O que não quer dizer que eu tenha parado de produzir e de pensar.
Recentemente, fui convidado a escrever um pequeno texto sobre casais para uns amigos, recém-casados, que o levariam e o leriam no dito encontro de casais...Daí, adorando o desafio, adorando mais ainda escrever, topei e, como uma coisa leva à outra, cá estou produzindo e querendo dividir, para quem estiver disposto a ler, meu textinho, sobre o mesmo tema - apenas focando os casais e nas ditas 'fórmulas' que existem por aí... Procuro suscitar a reflexão e, em vias oblíquas, deixar meu ponto de vista, segundo o qual o amor permeia a vida daqueles que estão ao nosso redor.
Espero que aproveitem. Críticas são muito bem vindas!!! Posicionamentos diversos, idem, certo?
Vamos ao texto:
- Fizeram a gente acreditar que amor, amor mesmo - para valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram para nós que amor não é acionado ou chega com hora marcada. Cá estou eu, prova viva, com 32 anos, e, sinceramente, no 'balanço geral' (mesmo com todo o peso que carrego no momento - meus amigos mais próximos sabem do que falo), digo que nunca estive mais feliz. Isso prova, dentre outras coisas, que o bom e sábio "Papai do Céu" nos permite conhecer nosso amor na hora exata.
- Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Particularmente, prefiro as maçãs, mas, a despeito dessa preferência, digo que o que não contaram é que nós já nascemos inteiros, que ninguém em nossas vidas merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através de nós mesmos (vivências, descepções, alegrias, etc...), mas, se estivermos em boa companhia, é bem mais agradável, claro.
Quando a companhia é a certa (vc saberá quando ela o for!!!), felizes de nós, pois, então, descobrimos que o amor não se divide 'em metades' (seja de larajna, maçã, de goiaba, ou qualquer outra 'fruta') - amor se acrescenta; se soma, de forma a que, em vez de de duas metades de laranja (maçã, etc...), em realidade, quem ama e é feliz ao lado do ser amado, tem duas laranjas (maçãs...) - para fazer um belo suco (ou vitamina, dependendo da fruta!) e ser feliz em dobro!!!
- Fizeram a gente acreditar numa fórmula "dois em um"; duas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que não é bem assim - pois o bom é a diversidade de opiniões, diversidade de formas de pensar e que, a alegria maior está em aprender a amar, cada dia, de uma maneira diferente - através da eterna descoberta do 'algo novo' em quem se ama. Aqueles que vão mais adiante, já respondo: não digo que é fácil (quem disser que é, se equivoca), agora, que é bom, é bom quando a gente vê a situação de um panorama sereno...
- Não contaram que somente sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável, sem 'anulação' de um ou outro membro do casal - afinal, a gente somente está pronto para ficar com alguém quado já somos alguém e temos, dentro de nós, o conhecimento do que oferecer...
- Fizeram a gente acreditar que bonitos e magros são mais amados; que os que trasam pouco são caretas; que os que transam muito não são confiáveis e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Aqui, um aviso: cuidado com préjulgamentos, certo? Não prejulgue...conheça...!
Continuando, ... "chinelo velho para um pé torto"..., bem, esqueceram de avisar que, de fato, existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Não nos disseram que o que realmente salva nesse monte de bobagens é saber que o verdadeiro amor - sem depender de hora marcada, aviso ou qualquer outra coisa - irrompe em nossos corações e as torna deliciosamente repleta de novas descobertas, de vivências mil, de diferenças, de confusões e, acima de tudo, de carinho e de coragem para amar (explico: amar, algumas vezes, dá medo... e é 'pesadinho', em vista da diversidade de humores e personalidades - o que no fundo é um elemento positivo e que propricia o 'novo'! Todavia, medo, todo mundo tem, basta não deixar ele nos dominar. Assim, "pra frente e avante"!).
- Essa é fogo: fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz. A mesma, para todos e, os que dela escapam, estão condenado à marginalidade... Não nos contaram que estas 'fórmulas', prontas e pré-fabricadas, dão errado, frustram as pessoas, são alienantes e que, cabe a nós, saber que existem (e tentar) outras alternativas (perdão pela redundância - outras e alternativas).
O importante, uma vez mais digo, é descobrir a sua tônica pessoal e a tônica de sua relação com o ser amado, posteriormente, independente de fórmulas....
O importante também é saber ouvir, respeitar, falar e, acima de tudo, amar... amar incondicionalmente e, além de amar 'desse tanto', deixar-se ser amado (o que nem sempre é facil e assusta). Cada casal faz a sua fórmula secreta - e não há duas iguais, devendo ser um segredo do casal, guardado a sete chaves!!!
Ah, também esqueceram de contar que ninguém vai dizer isso tudo, assim, para a gente.
Cada um vai ter de descobrir sozinho - talvez, até a duras penas, 'na marra' - como construir seu amor, solidificar sua vida de casal e vivê-la um pedacinho de cada vez...
Segurança é a palavra mais buscada num relacionamento. Não é a mais importante ou a mais sábia, todavia. A mais importante é amar (verbo transitivo direto - como dira o saudoso C.D.A) e, amar mais, e mais, a cada dia - falo de amor em todas as vertentes possíveis do amor. Isso faz um casal.
Permitam-se, os que amam, sentir aquelas "sensaçõesinhas" de 'frio na barriga' e de insegurança que, de vez em quando, 'batem' à nossa porta, servirem de impulso para a construção de uma historinha singular e verdadeira, na qual 'os dois do casal' são os autores, os protagonistas e aqueles que, no final, viverão felizes para sempre - de uma forma muito particular, sincera e cheia de coisas boas.
Abraços sinceros e BNB
Cris

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Organizando os relacionamentos - o início

Um tema complicado para todos nós humanos.
Lidar com outros humanos, diferentes de nós e ao mesmo tempo tão parecidos.
A meta é tentar relatar algumas situações e as leituras que fiz delas, e aguardo os comentários com as opiniões sobre.
Meu brainstorm sobre isso, que teve ajuda do marido pra ser concluído,  ficou da seguinte forma:


A idéia é falar dos problemas e mais longamente de algumas soluções sugeridas. Até porque listinha de problemas todos tem uma.....
Ah, e permiti a propaganda pq é meu patrocinador oficial: paga meu rango, estudo e diversão; fornece papel... então pode ficar. hehehe
Brincadeiras a parte, a organização dos relacionamentos me parece a mais complicada e delicada.
Mais do que qualquer outra organização, esta requer cuidado intensivo e segundo a segundo. Ou seja, só enquanto dormindo para descansar.
Um dos grandes detalhes aqui é ATENÇÃO, se você não der atenção, aquele relacionamento morre, a pessoa fica carente, vem a cobrança e assim por diante.
Então prometo tentar encerrar a primeira série sobre relacionamentos o mais rápido possível.
Mãos à obra.

domingo, 1 de agosto de 2010

Adianta planejar?

Quando falei sobre anotar, sobre brainstorm, sobre saber o que se quer já havia mencionada algumas diretrizes do planejamento.
Mas hoje quero falar sobre as probabilidades e os imprevistos.
Definitivamente não sobrevivo à primeira hora do dia sem saber a agenda/ programação.
Na verdade já acordo repassando mentalmente a agenda: hoje é domingo, acordamos tarde, provavelmente almoçaremos fora para não precisar lavar louça, vou com a roupa tal pq a temperatura é tal, depois precisamos dar atenção para as plantas, quero arrumar o escritório, estudar sobre alimentação e escrever um post para o blog.
E fico repassando os detalhes durante todo o dia: falta ver as plantas, escrever para o blog...
E antes de dormir: esqueci de fazer tal coisa, amanhã tenho q lembrar de fazer. Amanhã tenho que lavar o cabelo cedo, imprimir o projeto, vou cozinhar em casa pq compramos bastante legumes, pensar no quadro que quero pintar e incluir as conchinhas, estudar um pouco pro mestrado.
No dia seguinte o ritmo segue. Confesso que escrevendo tudo isso até eu achei meio neurotica.... hehehe
Mas é difícil parar a maquininha interna. Em função das prioridades eu até deixo de fazer determinadas tarefas, mas elas são sempre relembradas para que sejam incluídas na medida do possível.

O que ocorre é que nem sempre as programações e planejamentos saem exatamente da forma que gostaríamos ou que idealizamos.
Imprevistos acontecem. No dia em que você queria ficar quietinha as pessoas resolvem ligar ou aparecer. O computador estraga, a internet não funciona, falta luz, você esquece as panelas no fogão.... enfim, Lei de Murphy.
Não sei dizer se na maioria das vezes meus planos dão certo ou não. Acredito que seja 50/50.
Os pessimistas, imediatistas e acomodados em geral dirão que não adianta planejar.
Já eu diria que não só não funciono sem programação, como também não vivo sem programação.
A longo prazo isso faz uma diferença enorme.
Principalmente se você tem metas e planos. Já falei antes o quanto é importante saber para onde você quer ir e para onde está indo.
Assim venho reforçar: esteja consciente de qual o destino você está buscando e planeje a sua viagem. A cada dia você precisar mudar de rota, fazer desvios, mas se tiver firme qual o destino nunca estará perdido.
A diferença de alguém que anda "ao sabor do vento" ou "de acordo com o destino" é que estes não fazem idéia de onde estão, para que direção ir e nem quando chegarão a qualquer lugar. se é que há um lugar em que pretendam chegar.
É a atual filosofia: eficiência e pró-atividade.
Eu diria também que trata-se de assumir o comando da sua vida, o controle remoto das suas emoções e tomar o destino nas mãos. USUFRUIR DO SEU LIVRE ARBÍTRIO.
Então, arragasse as mangas e trate de rabiscar algo sobre o que realmente quer e como chegar lá.
Eu pretendia fazer mestrado em 2003. Para isso comecei fazendo aulas particulares de inglês, comprei um livro de questões e dicas sobre proficiência. Fiz o teste de proficiência duas vezes até alcançar o escore necessário. Depois estudei a bibliografia prévia e montei meu projeto de pesquisa. Somente então realizei a inscrição no processo seletivo.
Na época não passei na seleção, mas quando da inscrição já havia tomado todas as providências necessárias.
Em 2009 resolvi tentar o mestrado novamente. Quando acessei os sites das possíveis universidades, os prazos de inscrições para o primeiro semestre já haviam passado. Agendei as datas para o segundo semestre e novamente fui atrás de documentação, leituras preliminares, etc.
Com mais tempo para a preparação e talvez em função da maturidade adquirida não foi difícil a concretização.
A paráfrase que fica, perdão por não lembrar o nome do autor e nem de onde tirei isso (eita), é de que uma vontade sem direção é como um elefante desnorteado. Grnade, cheio de força e causando mais estragos que proveitos.
Encerrando, pode ser que tanto quem planeje, quanto quem não planeja acabem chegando ao mesmo lugar. Contudo, quem planejou terá chego muito melhor preparado e com certeza anos antes.